Relatório da CPI da Dengue aponta negligência do Poder Público na prevenção da doença

Conclusão da comissão foi apresentada em coletiva de imprensa nesta terça-feira (17)

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar as causas e responsabilidades do surto de dengue em Sorocaba apontou que houve omissão do Poder Público no combate à doença. As conclusões do trabalho, realizado entre os meses de fevereiro e setembro, foram apresentadas na tarde desta terça-feira, 17, em coletiva de imprensa na Sala de Reuniões da Câmara.

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O presidente da CPI, vereador Carlos Leite (PT), destacou a constatação de que havia apenas 79 agentes em trabalho de campo para orientar a população e detectar criadouros do mosquito Aedes aegypti – enquanto o Ministério da Saúde preconiza o número de 230 a 280 agentes para um município do porte de Sorocaba. O parlamentar salientou ainda que esses funcionários tinham suas funções limitadas apenas à averiguação, sem poderem tomar providencias ativas que evitassem a proliferação do vetor da doença. “A negligência da Prefeitura certamente foi determinante para a epidemia ocorrida na cidade”, concluiu.

Quanto às precauções para evitar um novo surto da doença, Carlos Leite preocupa-se com o fato de que a Prefeitura irá contratar 120 novos agentes, mas apenas no mês de janeiro do próximo ano. “Será mais de um mês de trabalho perdido na prevenção, pois o ano-dengue de 2016 já começou e há casos da doença surgindo praticamente na mesma proporção do ano passado.”

O relator da CPI, vereador Luis Santos (Pros), advertiu que a situação pode ser ainda mais grave nos próximos meses. “Estamos dando um sinal de alerta para a administração pública, porque agora há o agravante da febre chikungunya e da microcefalia, doenças ainda mais perigosas transmitidas também pelo Aedes aegypti”.

Prejuízos – A epidemia da dengue, registrada em Sorocaba no ano passado e que somou 52.624 casos da doença, com 31 mortes, teria causado um prejuízo econômico para a cidade no valor de R$ 19.267.800, já que do total de infectados 17 mil eram trabalhadores do setor produtivo. A conclusão é da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dengue, formada por nove vereadores da Câmara Municipal e que apresentou o relatório final das investigações na tarde de ontem.

Segundo a CPI, as falhas no sistema de coleta de lixo provocadas pelo rompimento de contrato com a empresa responsável, a retirada dos contêineres por longo período e o baixo número de agentes de saúde no trabalho de visita casa a casa contribuíram para a epidemia, além de outros fatores.

Além do presidente e do relator, a CPI da Dengue foi composta pelos vereadores Izídio de Brito (PT), Francisco França (PT), José Crespo (DEM), Marinho Marte (PPS), Antonio Silvano (SDD), Helio Godoy (PRB), e Rodrigo Manga (PP). O relatório será entregue formalmente ao presidente da Câmara, Cláudio Sorocaba I (PR), na sessão ordinária de quinta-feira, 19, e em seguida encaminhado ao Executivo e ao Ministério Público.

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